segunda-feira, abril 23

Renascimento: Humanismo e Reforma.

6. Renascimento: Humanismo e Reforma.
O Renascimento foi um movimento cultural e urbano que mudou a qualidade da obra intelectual e ampliou a quantidade da produção cultural, dando um grande impulso à literatura e à filosofia, segundo Moser (2008, p. 72).
Alguns fatos que se destacam na Idade Moderna são: o surgimento da imprensa, a ascensão da burguesia, a Reforma Protestante, o enfraquecimento do domínio da Igreja Católica, a expansão do comércio e do capitalismo.
INVENÇÃO DA IMPRENSA
No século XV o acontecimento mais importante que impulsionou a expansão da educação foi a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg em 1440 (MAN, 2004, contracapa).
Ainda segundo Man (2004, p. 17-18) assim se refere à famosa Bíblia de Gutenberg, de 42 linhas:
“O objetivo de Gutenberg, acredito, era o de um comerciante que se esforçava para ser o primeiro a fazer dinheiro no imenso mercado continental oferecido pela Igreja Católica. Foi como capitalista precoce que ele se tornou um homem moderno. Mas a meta poderia ser realizada apenas se ele pudesse fazer algo contra o reacionarismo e se unificasse uma Cristandade dividida. É uma das maiores ironias da história o fato de ter obtido exatamente o oposto de suas intenções. Tendo finalmente alcançado o sucesso, com uma incrível demonstração de brilhantismo e perseverança, Gutenberg quase perdeu tudo para seus sócios e colegas, somente por um triz se livrando da miséria e da obscuridade. E, tendo produzido uma das maiores publicações do cristianismo, ele anunciou uma revolução – a Reforma – que estilhaçou a unidade cristã para sempre”.
Iniciava-se assim o Renascimento propriamente dito.
A REFORMA
Um novo acontecimento veio então dinamizar o processo educacional pouco mais que meio século mais tarde, a Reforma Protestante capitaneada pelo monge católico Martinho Lutero, a partir de 1517. Martinho Lutero era um monge católico inconformado com algumas práticas da Igreja, como a venda de indulgências. Sua revolta levou a cristandade a uma cisão definitiva. Segundo Aranhaapud Moser (2008, p. 75):
Lutero defendia a educação universal e pública, solicitando às autoridades oficiais que assumissem essa tarefa, por considerá­-la competência do Estado.
[...]. Propôs jogos, exercícios físicos, música seus co­rais eram famosos – valorizou os conteú­dos literários e recomendava o estudo de história e das matemáticas”.
As inovações de Lutero na educação foram de tal ordem e importância que passaram a ser copiadas pelas outras Nações da época, sendo o sistema educacional alemão considerado como modelo. Segundo Moser (2008, p.75) houve também críticas à sua visão por muitos que a consideraram cristã demais.
CONTRA-REFORMA CATÓLICA
Aí então ocorreu uma explosão educativa com passos importantes dados por protestantes e católicos face a Reforma.
A reação católica à campanha da Reforma Protestante e seu crescimento vertiginoso, a partir de padres da Igreja, cristalizou-se de várias maneiras: a Inquisição foi restabelecida, criou-se uma lista de livros proibidos aos fiéis, fundação de seminários e criação da Companhia de Jesus (que como veremos adiante, participará ativamente na educação católica).
A Companhia de Jesus
Também conhecida como a Ordem dos Jesuítas foi fundada por Inácio de Loyola em 1534. Coube à mesma a tarefa de difundir a educação católica na Europa e também no Brasil. “O método de ensino intitulado Ratio Studiorium, elaborado pelos jesuítas no final do século XVI expandiu-se rapidamente por toda a Europa e regiões do Novo Mundo em fase de ocupação”, segundo Bortoloti (2006, p. 1).
Ratio studiorum
Constava das regras e grade de ensino que todas as unidades educacionais dos jesuítas deveriam obedecer em qualquer parte do planeta em que estivessem situadas, cujo objetivo era unificar a educação católica, ministrando todos um mesmo conteúdo, da mesma maneira. Somente eram admitidas modificações em casos excepcionais.
Essa regulamentação foi dividida em duas partes: Studia inferiora e Studia superiora.
Studia inferiora
Letras Humanas composta de gramática, humanidades e retórica, que era o grau médio e durava três anos. Era o estágio inicial de todo o ensino e baseava-se na literatura greco-latina e mantendo um currículo idêntico.
Filosofia e Ciências (ou curso de artes) também durava três anos e compunha-se de: lógica, introdução às ciências, cosmologia, psicologia, física aristotélica, metafísica e moral, cujo objetivo era formar filósofos.
Studia superiora
Tecnologia e Ciências Sagradas era a culminância dos estudos e objetivava a formação de padres.
O Latim era ensinado até que os alunos tivessem sobre o mesmo pleno domínio. E entre os jesuítas esse idioma era obrigatório até na conversação mais trivial.
Com a didática a exigência também era grande, recomendando-se a repetição para memorização, e nisso os alunos contavam com os decuriões que eram os melhores alunos e que ficavam responsáveis cada um por nove colegas. Aos sábados eram tomadas as lições da semana, donde originou-se a palavra sabatina. Para os mais adiantados havia torneios de erudição.
O estímulo à competição era fomentado entre indivíduos e classes. A emulação era um recurso muito utilizado através de dramatizações, onde os alunos assumiam identidades fictícias como: imperador, ditador, cônsul, tribuno, senador, cavaleiro, decurião, edil, etc. Eram também divididos em duas facções como, por exemplo: romanos e cartagineses.
Os que mais se destacavam na emulação eram premiados em cerimônias pomposas com a presença de familiares, autoridades civis e eclesiásticas. Montavam peças de teatro com textos clássicos e litúrgicos, desde diálogos até comédias e tragédias.
Tinham colégios com internato e externato, com muito estudo e atividades recreativas. As férias eram bem curtas para que os alunos não tivessem a mínima oportunidade de desviar-se dos ensinamentos recebidos. Seu olhar seguia os alunos a todas as partes. Quando houvesse necessidade de algum castigo físico, era contratado um ‘corretor’ fora dos quadros da instituição.
“Os jesuítas tornaram-se famosos pelo empenho em institucionalizar o colégio como local por excelência, de formação religiosa, intelectual e moral das crianças e dos jovens” segundo Aranha apud Moser (2008, p. 77):
“[...] Os jesuítas foram o primeiro grupo organizado a tentar sistematizar a educação, e aqueles que estudam em nestas escolas, ainda hoje existentes, possuem características interessantes e inegáveis de seus fundadores. Com o tempo a Sociedade dos Jesuítas, junto com suas idéias de educação, foi estendida para a maioria dos países da Europa. [...] vale ressaltar que a educação jesuítica procurou desenvolver não só os aspectos religiosos, mas também a potencialidade das pessoas”. (ARANHA apudMOSER, 2008, p. 78).

 O SURGIMENTO DOS COLÉGIOS.

Metodologias da Idade Média ainda sobreviviam mas percebe-se um maior interesse na integração entre professores e alunos, tornando a educação mais participativa. Aranha apud Moser (2008, p. 73) cita que:
“O aparecimento dos colégios, do século XVI até o XVIII , foi um fenômeno correlatado ao surgimento da nova imagem da infância e da família. [...].
Em 1452, ao reestruturar a Universidade de Paris, a Faculdade de Artes tornou-se propedêutica às outras três (filosofia, medicina e leis), lançando-se, desse modo a semente do curso colegial, o que favoreceu a separação mais nítida dos graus secundário e superior”.
O Renascimento foi uma conseqüência de fatos anteriores e que foi gestado ao longo dos muitos séculos finais do Período Medieval, que, por sua vez, também não foi aquela noite escura de mais de mil anos, entendida por alguns historiadores. Durante esse período houve uma grande evolução na forma e conteúdo de transmissão dos conhecimentos. O Renascimento estabeleceu alguns métodos na educação de crianças e jovens. O papel desempenhado pelo surgimento da Imprensa e a Reforma liderada por Lutero foi decisivo, tornando-se difícil eleger um dos fatores como fundamental. Defende-se como o fator mais importante a Reforma, já que a mesma mobilizou a Igreja Católica que era hegemônica espiritual e economicamente. Mas tanto a Reforma como a Contra-Reforma provocaram um avanço inegável, e que ainda hoje repercute na educação ocidental e mundial. 





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